Segunda, 02 Setembro 2019 10:46

Aumento populacional assombroso, segundo IBGE

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Por Ceiça Chaves

Nesta quarta-feira, 28, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou  a estimativa populacional dos estados e municípios brasileiros, com referência em 1º de julho de 2019. Segundo o IBGE, Boa Vista foi a capital com maior taxa de crescimento da população no último ano, com um percentual de aumento de 6,35%. Fato que torna ainda mais nítida a crise migratória na menor capital brasileira.  

Ano passado, a estimativa era de 375,4 mil habitantes e este ano chegou a 399,2 mil. São 23,8 mil pessoas a mais morando em Boa Vista. Roraima também teve a maior alta entre os estados com aumento populacional de 5,1%. Em 2018, a população era estimada em 576,5 mil habitantes e este ano chegou a 605,7 mil.


Cerca de 53,5 mil imigrantes vivem em Boa Vista, que acaba sofrendo com os impactos do aumento populacional em serviços essenciais como saúde e educação.

O aumento da população tem relação direta com a chegada em massa de imigrantes venezuelanos que fogem da crise em seu país. Dados publicados no documento Refúgio em Números, do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE) e da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) mostram que Roraima foi o estado brasileiro com maior número de pedido de refúgio de venezuelanos em 2018 (50.770).

Apenas 6.500 venezuelanos recebem assistência e alimentação dentro dos abrigos geridos pela Operação Acolhida, do Governo Federal, em Boa Vista e na cidade de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. A maioria vive em casas cedidas, alugadas, prédios abandonados e até mesmo nas ruas. 

Boa Vista sofre os impactos do aumento populacional em serviços essenciais como saúde e educação.


A prefeita Teresa Surita não tem medido esforços para manter a qualidade dos serviços oferecidos à população.

Embora as ações para lidar com a crise humanitária sejam de responsabilidade primária do Governo Federal, a prefeita Teresa Surita não tem medido esforços para manter a qualidade dos serviços oferecidos à população, tanto para brasileiros, como para imigrantes, mas relata as dificuldades enfrentadas pelo executivo municipal.

“Boa Vista está no centro da crise e no limite de sua contribuição. Temos feito de tudo, dentro das nossas possibilidades, para manter o atendimento em todas as áreas. Boa Vista tem um dos menores orçamentos entre as capitais do país, a economia local não gera empregos, a ajuda federal é pequena e os recursos emergenciais para a crise dos refugiados é destinada exclusivamente à população dos abrigos”, destacou a prefeita.


As 34 unidades básicas de Boa Vista e o Hospital da Criança Santo Antônio estão sempre lotados, e grande parte dos pacientes são venezuelanos.

Na Saúde, a prefeitura já fez 394 mil atendimentos a venezuelanos nas 34 unidades básicas de Boa Vista entre 2017 e 2019. No Hospital da Criança Santo Antônio, único hospital infantil do Estado, já foram mais de 28 mil atendimentos entre 2016 e 2019.


Os alunos venezuelanos representam quase 12% do total de estudantes da rede municipal de ensino.

Na Educação, as escolas municipais atendem mais de 4.800 alunos venezuelanos, representando quase 12% dos estudantes. No social, a prefeitura já incluiu aproximadamente 980 mulheres venezuelanas no programa Família Que Acolhe, que atende gestantes e crianças até o seis anos de idade, inclusive com vaga garantida em creches.


A prefeitura já incluiu aproximadamente 980 mulheres venezuelanas no programa Família Que Acolhe.

“Esperamos que as autoridades federais tenham mais interesse pela situação dramática de Boa Vista. Não pedimos recursos adicionais, mas precisamos de mais médicos, de um processo de interiorização mais rápido e dos atendimentos de nossas demandas”, concluiu.