Segunda, 25 Fevereiro 2019 07:27

CALAMIDADE NA SAÚDE, ENERGIA E GOVERNO FEDERAL

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O objetivo é facilitar o processo de compras emergenciais de medicamentos e de materiais médico-hospitalares

Não bastasse a situação por si só caótica na saúde, a coisa se agrava fortemente. E diante dos últimos acontecimentos, o governador Antonio Denarium assinou neste domingo, 24, Decreto de Calamidade Pública na Saúde. Isto ocorre devido ao agravamento dos conflitos na fronteira Brasil- Venezuela, que está elevando o número de atendimentos de venezuelanos feridos na principal unidade hospitalar do Estado, única a realizar procedimentos de alta complexidade.

Com a publicação do documento no DOE (Diário Oficial do Estado), nesta segunda-feira, 25, o governo terá mais facilidade para realização de compras emergenciais de medicamentos e de materiais médico-hospitalares.

“Já estávamos com situação crítica no setor da saúde em Roraima. A partir dos conflitos na Venezuela, esse problema se agravou. Entraram aqui para atendimento no HGR [Hospital Geral de Roraima], nos últimos dois dias, dezenas de venezuelanos feridos por armas de fogo e quase todos precisaram de cirurgia”, afirmou o governador.

Governador afirma que desde o fim do ano passado, a Saúde do Estado estava em situação calamitosa, e agora só piorou. “A situação local já era grave. Estávamos tentando fazer as compras, sem precisar decretar o estado de calamidade. No entanto, por causa dos acontecimentos desses dias, analisamos com a Sesau (Secretaria Estadual de Saúde e com a PGE (Procuradoria Geral do Estado) e entendemos que a capacidade de atendimento da saúde ficou sobrecarregada. Não sabemos o que pode acontecer de agora em diante e estamos nos prevenindo, para não deixar ninguém desassistido”, reforçou Antonio Denarium.  

O procurador-geral do Estado, Temair Carlos de Siqueira, enfatizou que a PGE estuda a normatização, a fim de que as ações do governo sejam embasadas em mecanismos da Lei de Licitações Públicas (Lei 8.666, de 21 de junho de 1993). “A PGE está analisando a normatização, para que o governo faça tudo embasado na maior legalidade possível. Estamos estudando e vamos apresentar todo o embasamento jurídico, para que sejam feitas as compras de medicamentos e de materiais necessários para atender a essa demanda já existente e que se agrava com o problema no país vizinho”, afirmou.

CONSTANTE CONTATO COM GOVERNO FEDERAL

Além da instituição de calamidade pública na saúde, conforme o governador Antonio Denarium, o Estado busca também o apoio do governo federal para enfrentar a crise. “Estamos em constante diálogo com o governo federal. Falei com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e com o ministro-chefe da Casa Civil, Ônix Lorenzoni, sobre a situação de Roraima. Conversei também com o general Augusto Heleno [ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência] sobre a grave crise que enfrentamos e veremos a possibilidade de trazer diretamente de Brasília material médico-hospitalar, até que as compras sejam normalizadas”, ressaltou.

Sobre o apoio já existente, o Exército encaminhou sete ambulâncias. Ao todo, 12 estão disponíveis e cinco estão de sobreaviso, preparadas para fazer o transporte de pacientes. Além disso, o secretário de Saúde reforçou a equipe de médicos e enfermeiros no HGR e no hospital de Pacaraima.

Outra preocupação do governo estadual é o provável crescimento do número de imigrantes entrando no Brasil, após a reabertura da fronteira. “Precisamos lembrar que a fronteira está fechada há alguns dias e o fluxo de venezuelanos entrando em Roraima era de aproximadamente 500 por dia. Com a abertura da fronteira nos próximos dias, deve haver um aumento substancial desse número e isso, consequentemente, vai aumentar a demanda por saúde no Estado”, disse.

PACARAIMA

A situação de brasileiros residentes no país vizinho e o desabastecimento de combustível em Pacaraima também geram preocupação. “Temos aproximadamente dois mil brasileiros vivendo em Santa Elena e na circunvizinhança e já conversamos com a Embaixada Brasileira em Caracas sobre o tema. Sobre o problema da falta de combustível para os moradores da fronteira, a comercialização é feita em Santa Elena. Já entramos em contato com distribuidoras e com proprietários de postos, para ver a possibilidade de levar combustível e fazer o abastecimento em Pacaraima. Assim, os moradores não precisarão se deslocar para Boa Vista para abastecer”, declara o governador.

CORTE DE ENERGIA

Uma eventual suspensão do fornecimento de energia pelo país vizinho também já foi discutida com o governo federal. “Já há um alinhamento do Governo de Roraima com o presidente Jair Bolsonaro sobre a questão energética. Entendemos a urgência da construção do Linhão de Tucuruí. Amanhã pela manhã (2º feira) o assunto será tema de reunião de equipes do governo federal. Com esse agravamento da crise, já tivemos alguns cortes de fornecimento e isso pode se agravar. Precisamos resolver definitivamente o problema, com a construção da linha de transmissão e trazer segurança energética, para que tenhamos mais investidores se estabelecendo no Estado, gerando renda, empregos e novas oportunidades para todos”, destacou Antonio Denarium.