Domingo, 05 Dezembro 2021 17:42

RODA DE CONVERSA Pais de crianças com Transtorno do Espectro Autista

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A dona de casa, Adriane Souza, é mãe da pequena Paula Eloah, de 2 anos. Há pouco tempo, a filha foi diagnosticada com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Adriane diz que não é fácil conviver com as limitações, mas busca de todas as formas auxiliar no desenvolvimento da filha. Atualmente, ela deixou o emprego e cuida de Paula, que é totalmente dependente.

 

“A Paula não fala. Ela não tem interação nenhuma. É muito difícil para nós. Hoje, nem tanto, mas a gente vai buscando em rodas de conversa e nas redes sociais. Foi aí que eu percebi e, na internet, procurei saber quais eram as características e ela se encaixou no TEA”, afirma Adriane.

 

 

 

Com uma história parecida, a publicitária Bibiana Uchoa também descobriu recentemente que o filho Túlio, de 3 anos, é uma criança autista. Ela destaca que não há diagnóstico padrão para as crianças com TEA, tendo em vista que cada uma se comporta de maneira diferenciada.

 

“O nosso filho tem sensibilidade tátil, ou seja, não é toda roupa que ele usa. Além do atraso na fala. Ele pronuncia palavras isoladas. Agora, ele está começando a ter uma evolução, ainda assim, é atrasada em relação a outras crianças da idade dele”, relata a publicitária.

 

 

 

Adriane e Bibiana, juntamente com outros pais, participaram neste sábado, 04, de uma roda de conversa intitulada “Estratégias naturalistas para ensinos e habilidades aplicadas ao TEA”. A programação foi realizada no prédio da Universidade Virtual de Roraima (UNIVIRR), no bairro Tancredo Neves.

O encontro é o segundo realizado pelo Centro de Apoio à Família, que integra o Programa de Atendimento Comunitário, da Assembleia Legislativa de Roraima, e tem como presidente a deputada estadual, Angela Águida Portella (PP). A coordenadora, Caroline Martins, esclarece o trabalho que é realizado.

 

“O nosso maior intuito com o Centro é ajudar os pais a auxiliarem as crianças. Para o seu desenvolvimento completo, para que sejam adultos eficientes na sociedade e que consigam todos os seus direitos, estimular todas as suas capacidades”, destaca a coordenadora do Centro de Apoio à Família.

 

 

 

A psicóloga, Wislânia Morais, é especialista em Transtorno do Espectro Autista e foi uma das palestrantes da roda de conversa. A profissional usa uma linguagem simples para mostrar aos pais que com atividades do dia a dia é possível auxiliar as crianças a desenvolverem habilidades.

“O intuito, hoje, é mostrar que isso tudo é muito acessível e que acontece no dia a dia. Então, todas as atividades têm diversas oportunidades de ensino e aprendizagem para as nossas crianças e, é a partir disso que a gente quer trabalhar. Tornar acessível a estimulação e o conteúdo nesse ambiente domiciliar”, esclarece a psicóloga.

Outra palestrante do dia foi a nutricionista, Ana Carla Alves, que abordou a importância de oferecer os alimentos da forma correta. Segundo ela, a criança pode, sim, comer o que gosta, mesmo que não seja tão saudável, mas é preciso incentivar o consumo de outros alimentos, gradativamente.

“É importante essa questão de trabalhar as migalhas, de trabalhar os limites da criança. Se ela recusar [um alimento] a primeira vez, não podemos desistir, é preciso apresentar de outras formas, até que ela aceite. Se for um alimento importante para a nutrição dessa criança, devemos estar sempre insistindo de forma diferente, com calma, respeitando o limite de cada uma”, explica Ana Carla.

Já são 30 famílias cadastradas no Centro de Apoio à Família e a ideia é realizar essas rodas de conversa mensalmente. A primeira edição ocorreu no dia 13 de novembro deste ano, e para o próximo encontro, ainda sem data definida, pretende-se levar um procurador jurídico para esclarecer os direitos da criança autista.