Terça, 08 Fevereiro 2022 12:57

NÚMEROS QUE PREOCUPAM PAIS, EDUCADORES E GOVERNO

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Aumenta em 1 milhão o número de crianças de 6 a 7 anos que não sabem ler e escrever durante a pandemia

Impacto é maior entre os alunos pardos, negros e mais pobres; entre 2019 e 2021, o aumento de menores não alfabetizados foi de 66,3%

  • Por Jovem Pan

O percentual de crianças de 6 e 7 anos que, segundo seus responsáveis, não sabem ler e escrever no Brasil chegou a 40,8% em 2021, a maior fatia desde 2012, quando a taxa era de 28,2%. Entre 2019 e 2021, período marcado pela pandemia do coronavírus no país, houve um aumento de 66,3% no número menores não alfabetizados, passando de 1,4 milhão em 2019 para 2,4 milhões em 2021. Os dados são da nota técnica divulgada pelo Todos Pela Educação nesta terça-feira, 8, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE. “As informações consolidadas pela nota técnica corroboram as avaliações de aprendizagem que Estados e Municípios vêm aplicando em seus estudantes e mostram o tamanho dos desafios – agravados pela pandemia – que precisarão ser enfrentados com políticas públicas efetivas nas esferas municipais, estaduais e federal”, diz a organização. 

Gráfico com percentual de crianças de 6 e 7 anos que não sabem ler e escrever no Brasil de 2012 a 2021

O levantamento ainda reforça a desigualdade social e racial que atinge a educação brasileira, apontando que o impacto da aprendizagem durante a pandemia foi maior para entre os alunos pardos, negros e mais pobres. Em relação à raça, os percentuais de crianças pretas e pardas na faixa etária que não sabem ler e escrever chegaram a 47,4% e 44,5% em 2021, enquanto em 2019 eram de 28,8% e 28,2%, respectivamente. A taxa de crianças brancas não alfabetizadas, por sua vez, passou de 20,3% para 35,1% no mesmo período. No recorte de renda, a pesquisa aponta que, dentre as crianças mais pobres, o índice das que não sabiam ler e escrever aumentou de 33,6% para 51,0% entre 2019 e 2021. Em relação aos menores de famílias mais ricas, o crescimento foi mais sútil: de 11,4% para 16,6%.