Sexta, 26 Novembro 2021 14:58

ADORA ESTATUTO DA CRIANÇA, MAS, É A FAVOR DO ABORTO…?!?!

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Por que a esquerda adora invocar Estatuto da Criança, mas considera que aborto pode ser um direito civil?

Discussão desconsidera que a prática pressupõe mesmo espírito do crime chamado abandono de menor

  • Por Bruna Torlay

Eu gostaria de adicionar um ponto de vista a essa discussão infinita sobre a quem “pertence” a gravidez, se à mulher ou ao ser humano que a origina. Um ponto de vista associado aos direitos civis, uma vez que a insistência de quem defende a prática está em tornar o que hoje é crime em direito civil. E vou direto ao assunto: defender que uma pessoa possa dar cabo da criança concebida é, no mínimo, endossar o abandono. A conduta de pais que abandonam à própria sorte filhos inaptos a preservar sua integridade moral e física é imoral como a decisão da mulher que dá cabo da criança gerada dentro dela. É a modalidade mais explícita e sumária de abandono, para começo de conversa.

Não entrarei nos meandros da concepção forçada. A lei já absorveu essa discussão. Mantenho o foco no que está em debate: a transformação de um crime em direito civil. Toda a esquerda invoca de boca cheia o Estatuto da Criança e do Adolescente para condenar corretivos físicos como tapas e chineladas. Acusam pais de negligência por não tratarem os filhos “como se deve”. Não percebem que dar cabo de uma gravidez é praticamente retalhar uma criança como se fosse um objeto incômodo? 

É evidente que o mundo imediatista e hedonista em que estamos inseridos se depara com o problema da “gravidez indesejada”. Ora, quantas não são as relações indesejadas com que aprendemos a lidar na vida, por senso de dever e sentimentos morais? Defender a destruição abrupta de um ser indefeso se assemelha, se ampliarmos a analogia a todas as relações indesejadas à nossa volta, a propor que uma pessoa tenha o direito civil de acabar com a vida do vizinho por encarar sua presença como um incômodo. Defender que o crime de livrar-se sumariamente de um ser humano que, por um momento, aparece como um problema, um entrave, um vexame seja elevado a direito civil é, numa palavra, propor a eliminação do próximo como solução para conflitos humanos.

Fazer do aborto um direito civil, portanto, contraria o sentido mesmo das leis; contraria a própria defesa da civilidade contra impulsos de destruição e aniquilamento; contraria cada parágrafo de cada lei referente aos deveres de adultos para com seus dependentes; contraria, em suma, a possibilidade da fraternidade, ou das relações humanas que superam conflitos, em vez de romper-se ao menor sinal de desagravo. Defender o direito ao aborto é dissolver a essência e o sentido do próprio direito.

 

 

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan