Quarta, 27 Julho 2022 09:37

PERIGO QUE TAMBÉM VEM DE CIMA

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Drone cai durante show e corta supercílio de mulher no Distrito Federal

Empresa responsável pelo evento e a banda que contratou o equipamento apresentam contradições quanto à permissão do uso

 POR Paloma Castro*, do R7, em Brasília

Médica veterinária Natália Guidi foi atingida no supercílio direito no último sábado (23)

Uma mulher sofreu um ferimento no supercílio direito após ser atingida por um drone durante um show no Festival Na Praia, no Distrito Federal, no último sábado (23). A médica veterinária Natália Nina Guidi, 31 anos, afirmou que havia percebido movimentos incorretos no equipamento, como baixa altitude, e que o aparelho sobrevoava próximo à cabeça do público, chegando a atingir o cabelo dela.

Segundo a vítima, antes de ser atingida, ela trocou de local três vezes, mas a tentativa de se proteger não surtiu efeito. Num determinado momento, o drone atingiu um coqueiro e caiu sobre ela, causando o ferimento. "Por milímetros, não pegou meu olho em cheio. Por sorte, eu consegui me proteger".

"Quando tudo aconteceu eu não conseguia enxergar, achei por um instante que tinha ficado cega", continuou. O susto fez com que o marido da vítima tirasse sua própria camisa durante o evento para estancar o sangue até a chegada dos brigadistas.

Ferimentos sofridos por Natália Guidi, e os pontos feitos após o atendimento no hospital

Ferimentos sofridos por Natália Guidi, e os pontos feitos após o atendimento no hospital

Naquela mesma noite, a vítima foi atendida num hospital particular e recebeu alta. A médica veterinária entrou com um processo extrajudicial contra o Grupo R2, responsável pelo evento.

De acordo com a nota veiculada pela R2 (confira a íntegra abaixo), a empresa disse ter se solidarizado com a vítima e prestado socorro imediato, levando-a de ambulância para o hospital e prestado a assistência necessária, mesmo diante do fato de o equipamento não ser de responsabilidade da empresa.

Especialista explica condições para pilotar um drone

De acordo com o fotógrafo e cinegrafista aéreo Daniel de Paula Hartl, dono de uma empresa em Brasília que produz filmagens aéreas, o equipamento não pode sobrevoar a uma distância menor que 30 metros em locais que contenha multidão.

Esta norma está prevista na regulamentação do espaço aéreo, na Legislação do Ministério da Defesa, em "Aeronaves não tripuladas e o acesso ao espaço aéreo brasileiro".

Drone sobrevoando durante filmagem

Drone sobrevoando durante filmagem

"As pessoas que estão no evento precisam ter o consentimento de que estão sendo gravadas pelo drone. Essa condição precisa estar pelo menos atrás do ingresso ou em algum outro informativo", esclareceu o especialista. 

Segundo ele, um piloto de drone precisa saber operar o equipamento conforme o regulamento do espaço aéreo, possuir o Seguro Reta para terceiros em caso de acidentes, ter o equipamento homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e solicitar o pedido de voo para o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), responsável por autorizar a permissão do voo no local.

"Isso é o básico que um piloto precisa fazer para realizar um voo dentro da legislação", afirma Daniel Hartz. Ele explica que o drone é um aparelho conectado a um sistema de rádio e conexão via satélite e que quando se encontra em grandes estruturas metálicas e caixas de som pode descalibrar. "A interferência eletromagnética pode afetar esse sistema de GPS e de rádio", explica, acrescentando que na maioria dos drones está presente uma luz vermelha na parte dianteira e uma luz verde na parte traseira, o que indica bom funcionamento.

Caso o aparelho comece a piscar na cor amarela na parte de trás, quer dizer que apresenta má funcionamento de transmissão do rádio de controle e deve ser parado imediatamente, justamente para que não atinja as pessoas, conforme explicação do especialista.