Sexta, 04 Junho 2021 10:08

OPERAÇÃO SANGRIA VEM NA BAILA DA CPI

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Operação da PF é consequência da CPI da Saúde na ALE-AM, diz Serafim

 

O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) atribuiu a quarta fase da Operação Sangria, deflagrada pela Polícia Federal e que investiga desvios da Saúde no Estado por dispensa de licitação, à contribuição da CPI da Saúde da Assembleia do Amazonas, a qual foi membro. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 2.

“Hoje, o assunto não pode ser outro que não seja a decisão do STJ (Supremo Tribunal de Justiça), determinando mais uma operação da Polícia Federal em Manaus. Volto à máquina do tempo, há um ano, quando fomos membros da CPI da Saúde e tudo isso que está acontecendo agora tem origem lá na naquele trabalho, bem feito, e o mérito é dos membros da comissão”, a CPI foi presidida pelo deputado Delegado Péricles (PSL), teve como relator o deputado Fausto Jr. (MDB) e teve como demais membros Wilker Barreto (Podemos) e Dr. Gomes (PSC).

MAIS DE 5 BI$

O líder do PSB na Casa Legislativa lembrou que foram detectados pagamentos indenizatórios por parte do Estado, superiores a R$ 5 bilhões, tendo a maior parte na pasta da Saúde, no período de 2010 a 2020. Ele atribuiu a operação de hoje, que investiga a alta cúpula do governo do Amazonas, à “ponta do iceberg”.

“O que está vindo à tona, hoje, com aquela relação empresarial é a ponta do iceberg. Se nós colocarmos a régua e andarmos dez anos para trás vamos ter R$ 500 milhões por ano, e isso é muita coisa. Louvo que o MPF (Ministério Público Federal), após a entrega do relatório da CPI da Saúde da Aleam, em 2020, possa ter começado a andar diante do roteiro traçado”, afirmou.

MAIOR INVESTIGAÇÃO

Para Serafim o caso, que é grave e repercute nacionalmente, deve ser investigado mais a fundo por órgãos de controle nas esferas estadual e federal.

“Esses R$ 5 bilhões precisam ser examinados. Quantas contas dessas já não foram apreciadas e aprovadas? Quantos processos, que deveriam ter sido instaurados pelo MP, e hoje não podem mais porque estão a abrigo da prescrição? Tudo isso nos remete para o tamanho da confusão que o Estado do Amazonas está metido. Não estou acusando o cidadão A, B, C ou D, estou apontando o modus operandi, o fato em si, que é fazer pagamento indenizatório. Isso é uma chaga e contraria toda a legislação”, sugeriu.

O parlamentar afirmou que após a conclusão da CPI e distribuição dos relatórios, no ano passado, ainda pairou acusação de que a CPI “tinha dado em nada”.

 “A CPI apresentou relatório apontando fatos, pessoas, modus operandi e indicando outros fatos graves como o contrato com o Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, mais do que isso, a parceria público-privada  do Hospital Delphina Aziz. A CPI da Saúde cumpriu o seu papel e agora, um ano depois, o MPF começa a seguir. Rogo a Deus que ele siga o caminho do dinheiro, porque tem R$ 5 bilhões para serem vasculhados”, concluiu Serafim.

IMPEACHMENT E AÇÃO DA PF

"Hoje, o Amazonas acorda satisfeito porque vê a justiça sendo feita em homenagem àquelas 12 mil pessoas que foram a óbito, pela ambição e ganância, pela estupidez de um homem que se apossou da oportunidade que o povo deu para fazer uma gestão no Estado e o que ele viu foi só dinheiro”, disse Dermilson Chagas, líder da oposição, que cobrou, mais uma vez que o presidente da Aleam, deputado Roberto Cidade coloque em pauta os pedidos de impeachment do governador Wilson Lima.

Dermilson ressaltou ainda que o contrato de aluguel das instalações do hospital da Nilton Lins, que ele e o deputado Wilker Barreto (Podemos) denunciaram várias vezes da tribuna da Aleam, consta das investigações da Polícia Federal nesta quarta fase da Operação Sangria, por se tratar de um contrato irregular e repleto de falhas.

O deputado destacou também que o advogado Eduardo Bessa ingressou na Justiça, em 14 de abril de 2020, com uma ação popular com pedido liminar para suspender o pagamento de R$ 2,6 milhões ao hospital de campanha da Nilton Lins. A liminar foi concedida pelo juiz César Bandiera, titular da 5ª Vara da Fazenda Pública.

AM NA HISTÓRIA, LASTIMÁVEL

Dermilson Chagas destacou que Wilson Lima criou uma situação inédita na história do estado do Amazonas: fez com que o Poder Executivo recorresse de decisões judiciais para pagar um contrato milionário.

“Ontem (1º), eu falei aqui nesta tribuna sobre o hospital de campanha da Nilton Lins. Olha só o que o desembargador Aírton Luís Corrêa Gentil fala peça que saiu agora, no dia 23 de março deste ano, e eu vou ler aqui porque dá gosto de ver as pessoas de bem, que tem espírito público e que tem coragem de colocar isso na peça e porque é a primeira vez que um magistrado vê o Estado entrando com um agravo interno cível para pagar”, disse Dermilson Chagas, que leu, na tribuna, a decisão proferida pelo desembargador.

 

 

 

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Ascom Dpe. SC

Fotos: Zamith F