Sábado, 27 Março 2021 12:36

BNDES DEVOLVENDO MILHÕES

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BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) acertou com o Ministério da Economia que devolverá R$ 62 bilhões ao Tesouro Nacional até dezembro de 2021. Nestes primeiros meses do ano, já foram pagos R$ 38 bilhões.

O TCU decidiu em janeiro que os aportes do Tesouro, de 2008 a 2014, contrariaram a Constituição. Isso nos obriga a devolver o dinheiro o mais rapidamente possível”, disse ao Poder360 o presidente do BNDES, Gustavo Montezano.

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Mais R$ 54,2 bilhões serão quitados até dezembro do próximo ano. Isso foi chancelado pelo Conselho de Administração do BNDES na noite de 5ª (25.mar.2021). O dinheiro poderá ser usado pelo governo para reduzir a dívida, hoje em R$ 5,2 trilhões.

A dívida remanescente  do BNDES com o Tesouro é de R$ 116,2 bilhões.

Na noite desta 6ª (26.mar) o BNDES publicou uma nota sobre o tema. Eis a íntegra:

“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico de Social (BNDES) informa que acordou proposta com o Ministério da Economia sobre o plano de liquidação antecipada de passivos junto ao Tesouro Nacional, conforme determinação proferida no âmbito do Acórdão nº 56/2021-TCU-Plenário. O documento foi encaminhado hoje para apreciação do do Tribunal de Contas. 

A dívida remanescente do BNDES com o Tesouro contempladas no plano é de aproximadamente R$ 116,2 bilhões, sendo R$ 13,5 bilhões de Instrumentos Especiais de Capital Próprio – IECP (híbridos) e R$ 102,7 bilhões de contratos de mútuos. Nesse valor já estão descontados os R$38 bilhões referentes à liquidação antecipada efetuada em março/21.

O plano de devolução acordado abrange um cronograma em regime de melhores esforços, cuja efetiva execução ficará sujeita à avaliação da governança do BNDES e do seu planejamento financeiro, condicionada a análises de liquidez, fluxo de caixa, riscos, dentre outras. No cronograma considera-se a possibilidade de pagamentos de R$ 62 bilhões até dezembro de 2021 e R$ 54,2 bilhões até dezembro de 2022.”

POSSÍVEL MUDANÇA DE NOME

O Poder360 apurou que o banco estuda mudar de nome. Ficaria BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Sustentável). A pronúncia da sigla praticamente não mudaria. Montezano não quis dizer se a troca ocorrerá ou não. Mas é simpático à ideia.

Acho que quando se olha para frente, Banco de Desenvolvimento Econômico e Social, o ambiental tem que estar ali junto. A palavra sustentável engloba tudo isso: o econômico, o social e ambiental. É um tripé. A gente se denomina o banco do desenvolvimento sustentável brasileiro“, afirmou Montezano.

 

Abaixo, trechos da entrevista:

  • novos bancos – “A tendência de um governo ter um banco de desenvolvimento está crescendo mundo afora. É algo que surgiu após a 2ª Guerra, caso do BNDES, para construir ou reconstruir os países. E agora, com toda a temática social, ambiental e econômica, está aflorando mais. Há discussão no governo dos EUA, no Estado da Califórnia. O BNDES voltou a estar na moda”;
  • posicionamento – “A gente está deixando de ser uma instituição monoproduto, muito concentrada em crédito. É uma ferramenta essencial, mas tem que ser acessória. Agora atuamos com modelagem de projetos, como aglutinadores de política pública, de capital, garantidores. É algo que a gente fez bastante no ano passado, atingindo mais de 400 mil empresas”;
  • BNDES na pandemia – “Durante a crise do ano passado, a gente gerou R$ 92 bilhões de crédito na ponta pelo instrumento de garantia. Antes, o banco era mais concentrado primordialmente em grande empresa”;
  • projetos – “O BNDES oferece agora [consultoria para venda de ativos] ao setor público brasileiro, primordialmente em infraestrutura, energia elétrica, concessão de parques, PPPs de presídios, de creches, concessões rodoviárias, de portos. A gente tem quase 40 setores e 120 projetos em carteira que representam investimento total de R$ 220 bilhões”;
  • privatizações – “Na 4ª feira [31.mar], teremos o leilão da CEEE, no Rio Grande do Sul; no final de abril, o da Cedae, um ícone do Rio. Na universalização do saneamento estima-se algo entre R$ 500 bilhões e R$ 700 bilhões para o país inteiro. Não há qualquer contradição entre viabilidade econômica do projeto e universalização. O leilão [do saneamento] em Alagoas no ano passado mostrou isso. A gente trabalha na privatização da distribuidora do Amapá, em situação desafiadora, dos Correios, e agora, depois da medida provisória, na modelagem da Eletrobras. Analisamos também a possibilidade de desestatização do Serpro, Dataprev e EBC. Não é uma agenda deste governo, é do Brasil”;
  • caixa-preta – “O banco aprendeu muito ao longo dos anos, de forma até dolorosa, a importância de ser aberto e transparente. Isso é relevante para os negócios”;
  • sustentabilidade – “É uma preocupação até da teoria econômica moderna. Não tem crescimento econômico se não tiver uma sustentabilidade social, educacional, de renda e ambiental. Isso está no DNA do BNDES. O que a gente está fazendo é colocar isso no centro da operação. Hoje qualquer CEO ou CFO de empresa tem metas sociais e ambientais a atingir”;
  • participação em empresas“Ter um banco de desenvolvimento especulando no mercado de ações não traz qualquer desenvolvimento para a sociedade. Até o final de 2022 a gente terá um risco de mercado virtualmente zero. Quando eu entrei no banco, a carteira de ações era de R$ 120 bilhões. A gente pode questionar se foi certo ou errado ter investido nas empresas. Muito disso resultou em empregos. Mas uma coisa é certa: foi um equívoco não ter vendido essas ações antes, quando amadureceram”.