CRÍTICAS SEMPRE, PARA ARTHUR NETO

Prefeito debate sobre democracia em evento que celebra os 50 anos do curso de jornalismo da Ufam

Por Rômulo Araújo

“Fiz inúmeras críticas à grande mídia e reclamei também de excessos das mídias sociais. Agora, eu prefiro isso ao silêncio”, afirmou o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, nesta quarta-feira, 10, durante o debate sobre “Jornalismo, Poder e Democracia” na programação pelos 50 anos de ensino de jornalismo na Amazônia, que celebra a formação da imprensa amazonense a partir da criação do curso na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Durante quase duas horas, Arthur falou sobre o papel do jornalismo na formação da sociedade e lembrou sua trajetória política, principalmente em defesa da democracia, durante o regime da ditadura militar. “Prefiro as críticas ao que eu já vivi, uma ditadura que não me permitia, por exemplo, aos 23 anos, escrever em jornal. Fui proibido a partir da eclosão do Ato Institucional número 5 (AI5) e isso eu não quero para ninguém das novas gerações”, observou o prefeito, acompanhado da presidente do Fundo Manaus Solidária, a primeira-dama Elisabeth Valeiko Ribeiro.

Com forte ligação com a Ufam, o prefeito de Manaus falou para uma plateia formada por acadêmicos, professores e profissionais de jornalismo da instituição, no campus que leva o nome de seu pai, o senador Arthur Virgílio Filho, criador da universidade a partir do projeto de lei de quando era deputado federal. À mesa também estiveram o sociólogo e professor da Ufam de Parintins, Adelson Fernando, a jornalista e presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Amazonas (SJPAM), Dora Tupinambá, e a também jornalista e professora Ivânia Vieira.

“Sou muito acostumado a participar de debates e falar para as pessoas. Aqui não é a primeira vez e não será a última. Estarei sempre pronto a debater, sobretudo com jovens, que devem ser instigados a debater e apreender os valores democráticos, para que defendam aquilo que foi legado a eles pela minha geração como algo que deve ser aperfeiçoado e transformado em instrumento de liberdade plena para negros, indígenas, homossexuais, mulheres e aqueles que, de alguma forma, sofrem opressão. Esse legado deve ser consolidado na direção de um país próspero e mais justo social e economicamente”, finalizou o prefeito.

O diretor da Faculdade de Informação e Comunicação da Ufam, Allan Rodrigues, lembrou que a criação do curso foi uma demanda histórica do Sindicato dos Jornalistas do Amazonas, em 1969. “O curso de jornalismo da Ufam é o primeiro da região Norte e podemos falar da imprensa em dois momentos, antes e depois dele, porque forma toda uma geração de jornalistas, que vai ocupar espaços nas televisões, rádios, nos jornais. Formou uma geração de professores que foi para as universidades formar outras gerações de jornalistas. Então, esse jubileu é uma celebração da qualificação da imprensa da região Norte”, explicou.

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O prefeito chegou a se emocionar durante a exposição, quando relembrou de momentos marcantes de sua luta em defesa pela democracia. Ele fez uma observação aos presentes sobre a missão dos jornalistas. “Penso que a imprensa deve fazer seu papel, crítico e que não seja faccioso, registrar os fatos. Fazer imprensa é relatar os fatos e informar os leitores, ouvintes, telespectadores e internautas, para que as pessoas possam tirar suas próprias conclusões”, finalizou.

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Fotos: Márcio James 

https://youtu.be/T8SmwZcN_Ew


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